O PRINCIPE MICHKIN
Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007
  Same Jeans
"I´ve had the same jeans on for four days now
I´m gonna go to a disco in the middle of the town
Everybody´s dressing up
I´m dressing down"
(The View)



Just Jack, ou simplesmente o primeiro grande disco de 2007! "Overtones" é o album de estreia do antigo DJ inglês Jack Allsopp, que da obscuridade de alguns clubes londrinos acaba de saltar para a ribalta após o single "Starz In Their Eyes" ter entrada esta semana para a segunda posição do Top 40 britânico. Embora ainda um perfeito desconhecido entre nós, revistas da especialidade como a Q e a New Musical Express já elogiaram a consistência electro-soul de um artista que consegue desde a primeira faixa (a excelente "Writters Block") contagiar-nos com um autêntico cocktail de ritmos cujas influências mesclam o garage, o indie e o hip hop. A sonoridade de Just Jack lembra os "The Streets" de Mike Skinner mas (felizmente digo eu) com uma menor dosagem de hip hop. "Overtones" é uma certeza e decerto que "Starz In Their Eyes" vai começar a rodar com insistência em rádios como a Antena 3, depois não digam que não avisei...

No Gira-Discos:

The View - Hatts Off To The Buskers
Klaxons - Myths Of The Near Future
The Fray - How To Save A Life
Fall Out Boy - Infinity On High
Just Jack - Overtones
 
Segunda-feira, Janeiro 29, 2007
  One Hundred Days
"One day a ship comes in
From far away a ship comes in
One hundred days you wait for it
And you know somewhere the ship comes in everyday"
(Mark Lanegan)

Para hoje 3 regressos: eu aos posts (isto já andava adormecido), o FCP às derrotas para o campeonato e o Jay Jay Johanson aos bons discos! Permitam demorar-me apenas no que ao ultimo item diz respeito uma vez que os outros 2 são polémicos. Nem existe actualmente nenhum estudo científico que comprove que as linhas que aqui escrevinho contribuam para o bem estar geral da humanidade nem todos tem a clarividência de torcerem pelo glorioso. Adiante. Conterrâneo de Thern, Schwarz e Magnusson ou do treinador Erickson (e com esta encerro mesmo o tema futebol, prometo), Jay Jay era um rapaz talentoso que ouvia trip-hop e gostava de música melancólica. Talentoso, gravou 3 albums sublimes, iguais mas sublimes, de seus nomes "Whiskey", "Tatoo" e "Poison" e obteve o pouco reconhecimento que um músico fora do mainstream normalmente obtém. Não sei se por isso ou por qualquer pancada deixou crescer e pintou o cabelo de laranja e gravou um album "100% disco sound". A coisa demorou-me a encaixar mas no fim até entranhei aquilo e dei por mim a elogiar a capacidade do tipo em se reinventar. O problema foi que depois de "Antenna" veio outro album igual em tudo excepto no cabelo que voltara a ser louro como qualquer sueco que se preze. Com "Rush" Jay Jay perdeu toda a sua credibilidade junto dos fãs e quando se esperava um lento "fade away" eis que alguém lhe deve ter segredado ao ouvido que não seria má ideia voltar às suas antigas sonoridades e... bingo, surge o recente "The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known"! Bastou ouvir a primeira faixa, "She Doesn´t Live Here Anymore" para comprovar que não se havia perdido nada. Bela voz. Belo timbre. Canções simples e atraentes para conferir dia 3 de Fevereiro na Casa da Musica no Porto. Mas se dúvidas ainda existissem sobre a regeneração do artista basta adiantar que a faixa 7 se chama simplesmente "Jay Jay Johanson Again". Esclarecedor! Os que ainda não lhe perdoaram o desvio para a "dance floor" vão continuar a criticá-lo, argumentando que nada disto é original mas Jay Jay nunca o foi e assim é que ele está bem! Ou querem ver que os sempre endeuzados Bob Dylan, Tom Waits ou Neil Young, só para citar alguns, não andam sempre a gravar as mesmas canções e tem os seus discos sempre nos melhores do ano!?

No Gira-Discos:

Carla Bruni - No Promises
Lambchop - Damaged
J.P. Simões - 1970
The Good, The Bad & The Queen - The Good, The Bad & The Queen
Jay Jay Johanson - The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known
 
Quinta-feira, Janeiro 11, 2007
  This Is Hardcore
"I´ve seen all the pictures, I´ve studied them forever
I wanna make a movie so let´s star in it together"
(Pulp)

A canção cujo excerto hoje escolhi para dar nome a esta crónica titula um dos melhores albums da década de 90, autoria dos britânicos Pulp. Facilmente gastaria muitas linhas a gabar a acutilância e consistência do registo ou, pura e simplesmente, demonstrar a inveja que tenho por nunca ter escrito uma letra tão rica e perversa como a que Jarvis Cocker idealizou. Centremo-nos precisamente no vocalista citado. Jarvis é o nome do seu primeiro trabalho a solo, que roda actualmente na antena do meu Peugeot 2006. E, meus amigos, trata-se de uma pequena maravilha! É puro "adult pop", como lhe chama o All Music Guide, canções de um artista com muitos anos de rodagem, sapiente e que sabe compor e musicalizar as suas ideias como poucos. Garanto que não ficarão indiferentes à beleza de "Baby´s Comming Back To Me" e "I Will Kill Again" ou ao fulgor de "Heavy Weather" ou "Black Magic". E o que dizer da cínica "Don´t Let Him Waste Your Time?" Mais um disco indispensável... de 2006!
Ainda a propósito de Pulp, aconteceu-me mais uma vez e acontece-me muito isto, que é encontrar em canções a forma de expressar por palavras o que sinto, sejam paixões que irrompem furiosamente ou estados de melancolia interminável. É claro que também posso encontrá-las num filme de Woody Allen ou num romance de Dostoievsky mas ainda assim existe algo na música que a torna canal preferencial para a resolução destes pesarosos entraves à comunicação entre amantes ou pessoas de quem gostamos em geral. Disse-me hoje a minha colega que o seu namorado, quase marido, lhe cantarolou "Sozinho" de Caetano Veloso na manhã a seguir a terem feito amor pela primeira vez. Eu, em relação a ti, que me lerás, não posso enjeitar a mais que algo como este excerto de "Dishes": "I´ll read you a story if it helps you sleep at night. I´ve got matches if you ever need a light. I´m just a man but I´m doing what I can to help you. I´d like to make this water wine but it´s impossible. I´ve got to get these dishes dry."
 
Domingo, Janeiro 07, 2007
  Let´s Make Love and Listen Death From Above
"I want you to show me how mad is your love
Come and attack me, it´s not gonna hurt
Fight me, deny me, if I fear when you´re close
Let´s make love and listen Death From Above"
(CSS)

No começo de um novo ano, normalmente até fins de Janeiro, aproveito para ouvir alguns albums aos quais apesar de a crítica se ter perdido em elogios eu entendi não serem merecedores de muita atenção. Foi assim que adicionei recentemente ao playlist cá de casa os eléctricos brasileiros "Cansei de Ser Sexy", a sedutora americana "Cat Power" e os frenéticos escoceses "The Fratellis". Enquanto nos preparamos para receber novos artistas e novos albuns e anseamos pelos concertos dos nossos intérpretes favoritos (eu já garanti Vaya Con Dios e Dave Mathews Band) vale a pena entretermos o ouvido com algumas pérolas ocultas de 2006.

Em cinema destaco-vos "The Prestige", último de Chris "Memento" Nolan, um filme admirável sobre dois mágicos rivais (Christian Bale e Hugh Jackman) que levam a sua disputa ao limite da obsessão e loucura. De dificil catalogação, entre o drama e a comédia negra, prende o espectador dado o recurso a inúmeras ilusões e a constantes reviravoltas no argumento, sendo que se for do sexo masculino também não deixará de passar vagarosamente os olhos pelas belas linhas da Scarlet Johanson. O elenco é magnífico dado que conta também com Michael Caine, Andy Serkis e David Bowie, sim ele mesmo! Deixem-me também parabenizar o Nolan por ter descoberto uma boa música no trabalho a solo de Thom Yorke, "The Eraser", para este filme. Em síntese, um dos melhores filmes de... 2006 (mas quem mandou estrear a 28 de Dezembro?)
 
Segunda-feira, Dezembro 25, 2006
  The Winner Takes It All
"The winner takes it all
The looser has to fall
It´s simple and it´s plain
Why should I complain"
(Abba)

Se forem como eu, nesta altura do ano gostam de saber quais foram para as revistas da especialidade ou opinion makers em geral, os melhores de 2006. Sejam filmes ou discos, sejam alcachofras ou melancias, gosto de, pura e simplesmente, os ver ali alinhados, de 1 a 10, 20 ou 50, conforme a escala, e meditar sobre se tais escolhas me merecem aplauso ou incredulidade. Mesmo que inconscientemente todos o fazemos.
Por ora deixemos de fora frutas e leguminosas, seguem as minhas listagens:

Top 10 Cinema

01. Match Point (Woody Allen)
02. Uma Historia de Violência (David Cronenberg)
03. Entre Inimigos (Martin Scorcese)
04. Um Homem na Cidade (Mike Binder)
05. Kiss Kiss Bang Bang (Shane Black)
06. Inside Man (Spike Lee)
07. O Matador (Richard Shepard)
08. Uma Familia à Beira de um Ataque de Nervos (Jonathan Dayton)
09. Obrigado Por Fumar (Jason Reitman)
10. A Dália Negra (Brian De Palma)

Top 10 Música

01. The Strokes - First Impressions of Earth
02. Keith Caputo - Heart´s Blood On Your Dawn
03. Lloyd Cole - Antidepressant
04. Charlotte Gainsbourg - 5.55
05. The Killers - Sam´s Town
06. The Ordinary Boys - How To Get Everything You Ever Wanted In 10 Easy Steps
07. The Divine Comedy - Victory For The Comic Muse
08. Placebo - Meds
09. Artic Monkeys - Whatever People Say I am That´s What I´m Not
10. Red Hot Chili Peppers - Stadium Arcadium

Seria injusto não deixar umas quantas notas breves tanto sobre uma lista como a outra. Não é necessário explicar o quão difícil é resumir 365 dias ou quase de música e cinema em 10 títulos pelo que ficarão sempre de fora grandes fitas e sons fantásticos.
Na 7.ª Arte quero realçar que em 2006 ainda vai estrear um potencial filme do ano, Babel, realizado pelo mexicano Inarritu e que não tive oportunidade de ver o novo de Gondry, a Ciência dos Sonhos, do qual também espero muito. Outros títulos de que gostei foram Capote, Munique, Casanova, Uma Verdade Inconveniente e World Trade Center. Ainda uma menção (muito) honrosa para o regresso do agente ao serviço de sua majestade, Mr. Bond, aos bons filmes.
Musicalmente tive de deixar de fora bastantes albums que ouvi incessantemente em 2006. Este ano que agora chega ao fim trouxe-nos muito bom pop, no sentido genuíno do termo, influenciado por sonoridades rock and roll, punk e electro dos 80´s, de que são exemplo os Orson, Dirty Preety Things, Boy Kill Boy, Fall Out Boy, Editors, Hard-Fi, Panic At The Disco ou The Noise Next Door e que na lista estão representados pelos Ordinary Boys e pelos Artic Monkeys. Outro conjunto de artistas ficou de fora por, apesar de terem lançado óptimos albuns, eu considerar os antecessores melhores (Morrissey, Muse, Adam Green, Jane Birkin). Num ano fraquinho para a música portuguesa destaque para os Balla (de Armando Teixeira) e para Nuno Prata (ex-Ornatos Violeta), sendo que para alargar a oferta até à Peninsula Ibérica realce também para os catalães Macaco. O melhor concerto do ano foram os Muse no Campo Pequeno e o single do ano é Crazy dos Gnars Barkley, segundo palavras de Nuno Markl "cantiga maravilhosamente viciante que é uma espécie de Crazy Frog intelectual para pessoas de bom gosto". Subscrevo.

Podem bater à vontade!
 
Domingo, Dezembro 17, 2006
  Tubthumping
"I get knocked down
But I get up again
You´re never going to keep me down"
(Chumbawamba)

Abro a Tabu desta semana e a propósito da habitual reportagem "na casa de" dou de caras com uma das minhas imbirrações de longa data, aqueles calhamaços absurdamente caros de tamanho A3 e capa dura a que algumas pessoas convencionaram apelidar de livros, que se colocam nas salas de estar finas e cuja utilidade é pura e simplesmente estarem lá, ornamentando uma mesa qual napron ou jarro com flores! Normalmente versam sobre assuntos de índole histórica, cultural ou recreativa (sim, de vez em quando, enquanto se aguarda que alguém se despache para sair de casa, alguns de nós chegam mesmo a folhear desinteressadamente um desses monstros de papel) e no caso de Carlos Encarnação as temáticas eram Coimbra e catálogos de arte tipo os da Taschen. É de referir que com estas pseudo-intelectualizantes bíblias da decoração inauguro uma lista das "coisas e tal e coiso que não suporto minimamente", tarefa a qual estava à séculos para iniciar. Mais uma vez obrigado José Manuel Saraiva!
Ontem no Auditório dos Oceanos pude assistir ao espectáculo "Its a Kinda Magic" onde um quarteto oriundo de países que vão desde a Austrália à Alemanha recria com bastante transpiração e alguma inspiração a celebérrima tour dos Queen. Craig Pesco, o vocalista, pese não ter a voz de Mercury, não só é bastante parecido fisicamente com este e tem toda a sua energia de palco como possui grande carisma, o que garantiu de imediato grande empatia com o público presente. Pelo Casino de Lisboa passaram todos os hinos da banda britânica até ao album "The Miracle" de 1989, tendo-se destacado as interpretações de "I Want To Break Free", "We Are The Champions" e "Bohemian Rapsody". Palpita-me que tivessem o que resta dos verdadeiros Queen assistido a este espetáculo e concerteza que não teriam convidado o inarrável Paul Rogers para vocalizar aquele punhado de concertos que deram à alguns meses atrás, digressão essa que passou pelo Estádio do Restelo em Lisboa.
Referência final para o fantástico repasto, com troca de presentes de Natal, ocorrido hoje em Salir do Porto e que juntou ao almoço o cerne da sapiente Escola Honesta, metendo ao barulho parques, praias e piscinas, e para uma fenomenal explicação sobre o sucesso ou insucesso amoroso que me foi facultada pelo Dr. Lourenço: a época natalícia é extremanente propensa a reconciliações minando de forma bastante séria a possibilidade de novos relacionamentos. Anotado!
 
Segunda-feira, Dezembro 11, 2006
  Who Wants To Live Forever
"Who wants to live forever?
Who dares to love forever?"
(Queen)

Ei-lo:

AMOR TRANSPARENTE

Seria diferente,
Pudesse eu te embriagar
De amor transparente,
Atraente, para melhorar.
É como um banho quente
Mas o bálsamo, por mais que tente
Continuas a declinar.

Seria diferente,
Pudesse eu te converter
Ao amor transparente,
Imponente, para rejuvenescer.
É como um poema ardente
Mas o ritual, por mais que tente
Tarda em acontecer.

O meio termo. As entrelinhas.
A porta aberta. Uma canção.
Se o sentes, porque mentes?
De que proteges o coração?

 
OPM - Blog de Sandro Jordao - Um Homem Positivamente Bom. Comentarios, Sugestoes ou Troca de Berlindes escreva para: sandrojordao@netvisao.pt

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